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Fim de ano, turismo de massa e ônibus

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Finalmente dezembro! Chega-se a mais um fim de ano e, como sempre, o desejo de viajar cresce em boa parte da população. É tempo de férias, festas, confraternizações.E sempre aos finais de ano, a corrida por passagens é acirrada e cada poltrona, para determinados lugares, é disputada ferozmente pelos brasileiros ávidos por…ah, quase sempre é praia! Confesso, eu também queria ir pra praia…

É aquele famoso turismo de massa. Para relembrar, turismo de massa é aquele surgido depois da segunda guerra mundial e que deu à classe média a chance de viajar e “consumir” turismo, aproveitando todo o aparato da indústria do entretenimento e lazer (TRIGO, 1998). As consequências desse movimento das classes menos abastadas em turismo trouxe ao mundo alguns problemas. Muita gente passou a se deslocar de suas residências e a lotar destinos turísticos que ainda não estavam preparados para receber contingentes tão grandes. Os turistas passaram se acotovelar em aeroportos, esperar em longas filas para entrar em restaurantes e até mesmo a comprar souveniers que não foram feitos na localidade como sendo feitos na localidade (BENI, 2001). Os espaços turísticos foram sendo consumidos desenfreadamente e então começaram a se esgotar. A matéria prima do turismo passou a, de certa forma, morrer, e só então a preocupação com a continuidade entrou em foco, com estudos sendo realizados para medir a capacidade de carga dos destinos turísticos bem como a preocupação com a preservação. Mas, ainda considerando os estudos de Beni (2001, pg. 79), “o turismo de massa conferiu fisionomia marcadamente móvel e dinâmica ao mundo”. Isso quer dizer que esse tipo de turismo também trouxe benefícios. Antes do surgimento desse turismo de massa, uma parcela pequena da humanidade viajava, e os meios de transporte não eram os melhores para permitir viagens longas com objetivos de lazer. Após a segunda guerra e o o surgimento das oportunidades de viagem a todos, o mundo passou a ser visto como espaço de todos, dinâmico. Nenhum lugar era mais impossível de se alcançar. Os meios de transporte haviam evoluído e o turista da época podia sonhar em conhecer qualquer destino. O turismo de massa abriu as portas do mundo para a atividade turística, e esse é um ganho relativamente grande frente os pontos negativos, pois é a partir do turismo de massa que a atividade começou realmente a ser pensada e organizada, englobando estudos sobre o deslocamento humano, uso dos espaços turísticos, ciclo de vida dos destinos turísticos, preservação ambiental, e incluindo o lazer, recreação e entretenimento como componentes da indústria turística. Trigo (1998) até relembra dos estudos sobre essa indústria do entretenimento e lazer feitos pelos frankfurtianos (um grupo de estudiosos marxistas reunidos por essa alcunha por trabalharem com base em Frankfurt), que apontavam como o entretenimento poderia ser utilizado para manipular a massa e destituir-lhes do poder de discernimento, visto que a indústria do entretenimento passou a ser manipuladora e não mais focada nos princípios de simples lazer (ADORNO, 1999). Mas deixemos esse ponto para outro post né!

Então, boa parte dos viajantes ainda pratica o antigo turismo de massa, preferindo ir à praia, lotar as areias, enfrentar filas em mercados, bancas de jornal, restaurantes, shoppings, lentidão no trânsito, preços inflacionados, falta de água e mais um monte de consequências da superlotação do litoral nessa época de alta temporada, e não escolhem outros destinos. Isso é, como mostrado acima, legado da história da humanidade, e ainda precisa-se evoluir muito para que o turismo seja vivenciado em todas as suas vertentes. Mas, abordando agora um outro ponto, como nós, brasileiros, viajamos nessa época de fim de ano? Hoje em dia pensa-se muito no transporte aéreo (e no caos que dezembro causa nos aeroportos), pode-se lembrar também do carro particular, e também existem os ônibus. Quem aí já tentou saber mais sobre os ônibus? Quem trabalha em agência de viagem, como consultor de turismo ou como guia já deve ter, algum dia, se pego pensando em como saber que tipo de ônibus utilizar para uma viagem. As empresas de transporte rodoviário utilizam várias siglas e nomenclaturas para separar sua frota e, na realidade, pouco se fala a respeito disso. Em recente oficina que realizei com uma especialista em turismo social, a Juliana Côco, de Florianópolis, finalmente decifrei alguma coisa! Vamos lá:

Pode-se separar o ônibus por diversas categorias – tamanho, peso, tipo de serviço… – mas aqui, por causa das características do turismo, abordo a categoria de serviços.
Ônibus Econômico: veículo simples, sem equipamentos e facilidades.
Ônibus Convencional: com somente dois eixos, recomendado para viagens até 300 kms. Os bancos reclinam muito pouco, janelas de abrir e em alguns casos podem ter banheiro. A passagem neles é sempre mais barata.onibus convencional
Ônibus Executivo: oferece serviço diferenciado com poltronas e arranjo interno mais confortável. Possui ar-condicionado, descanso para as pernas, som ambiente, TV/DVD, bar, com ou sem comissário de bordo, e banheiro no fundo. Algumas companhias oferecem coberta e travesseiro higienizados. Indicados para viagens de até 600 kms.onibus executivo
Ônibus Leito: dimensões maiores que os demais, poltronas amplas com apoio para as pernas, quase se transformando em cama, dispostas a habilitar o máximo de conforto, sendo desejável a disponibilidade de lanche. Possui também todo o aparato dos demais tipos. Existe o semi-leito, que possui mais poltronas e não inclina totalmente. As nomenclaturas são Leito Turismo, indicado para até 1.600 kms, Leito Total, para viagens de até 2.500 kms, LD (Low Drive), com dois andares e banheiro na parte de baixo, e DD (Double Deck), com quatro eixos, dois andares, sala de jogos.leito turismoonibus ddonibus ld

Agora ficou mais fácil escolher o melhor ônibus para uma viagem. Cada um com sua caracterítisca e benefícios. Muita gente gosta dos ônibus e também existem aficionados nesse tipo de transporte, chamados de busólogos (tenho um amigo que é!). A passagem vai ficando mais cara a medida que o ônibus vai melhorando, e os fabricantes começam a querer competir com o conforto dos aviões. De fato, viajar de ônibus pode ser cansativo, mas cada vez mais eles vão inserindo diferenciais, com empresas que oferecem até poltronas e banheiros para mulheres. As companhias rodoviárias, nota-se, só abriram os olhos para essas questões de marketing agora, e, na minha opinião, podemos esperar uma melhora significativa nesse tipo de transporte daqui pra frente, pois, com os aeroportos cada vez mais lotados, os ônibus voltam a ter papel importante no deslocamento de turistas (sempre foi importante). Com as melhorias nas estradas (ainda poucas, mas ainda assim ajudam), os ônibus podem se deslocar com maior facilidade, e os serviços dentro do veículo vão melhorando. O cliente passa a ter melhores opções de empresas, e as companhias podem até mesmo acabar se utilizando dos sistemas de fidelidade tão famosos pelas companhias aéreas para fidelizar clientes. E assim, vamos viajar no fim de ano e aproveitar as férias!

Referências do texto:
ADORNO, Theodor W. Textos escolhidos. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. São Paulo: SENAC, 2001.
TRIGO, Luíz Gonzaga Godoi. A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo. Campinas, SP: Papirus,1998.

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