Viver do Turismo

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Vale do Ivaí, nova região turística do Paraná!

capital do Vale do Ivaí

Apucarana – Capital do Vale do Ivaí

Depois de meses sem postar nada, estou de volta. Esse ano as coisas estão meio estranhas, e não tenho feito as coisas como havia planejado. Mas agora tenho voltado, parece, ao controle das ideias e retorno a fazer uma das coisas que mais gosto: escrever. E uma notícia me motivou a escrever esse post: Vale se torna região turística. Antes de entrar de vez no assunto que quero, lembro que sempre trabalhei com o mercado turístico desde o primeiro ano de estudos na faculdade, e nunca deixei de trabalhar na área, jamais precisando sair da região para ser um turismólogo, visto que os empregos existem, e aos montes, basta um pouco de força de vontade e perseverança. Obviamente, não é uma tarefa fácil sobreviver do turismo, mas isso acontece tanto aqui quanto em regiões puramente turísticas, e também porque não temos regulamentação para assegurar nossa importância no mercado de trabalho, mas isso é um assunto à parte e que merece um texto próprio. Escrevo isso para demonstrar, principalmente aos turismólogos que estão se formando por agora, que a região em que moramos oferece muitas oportunidades de trabalho. Muitas vezes, é aqui, se doando um pouco, que a experiência é adquirida para que, mais pra frente, os voos sejam cada vez maiores! E isso também tem relação com o assunto que começo abaixo.

Como já escrevi anteriormente, sou professor de uma faculdade, no curso de turismo. A notícia acima refere-se, justamente, à Instituição de Ensino Superior na qual leciono, a FECEA – Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana, um campus da recém criada UNESPAR, a Universidade Estadual do Paraná. A notícia é sobre um projeto de extensão das professoras Michele da Costa e Lorena Mancini (às quais devo muito da minha formação e tenho admiração e respeito gigantescos por elas), que visa mapear o potencial turístico da região em que estamos inseridos, que é o Vale do Ivaí, no norte do Paraná. Com esse projeto, espera-se, ao final, definir uma rota turística por essa região do Estado, tão cheia de atrativos e histórias mas que é pouco conhecida. Mas essa reportagem (saiu também em mídia impressa no jornal Tribuna do Norte, de Apucarana, com mapas e muitas ilustrações legais) faz parte de um contexto muito maior. Como parte do Programa de Regionalização do Turismo,  o Paraná passou por uma reorganização em suas regiões de interesse turístico, contando agora com quatro novas regiões, e uma delas é o Vale do Ivaí (alguém aí lembra do PNT 2003 -2007, e do 2007- 2010???? Esses que, aliás, são assunto de estudo em praticamente todos os cursos de turismo e de grande importância para entendermos e analisarmos os rumos da atividade turística. Já que fiz esse adendo, é interessante ressaltar que o Programa de Regionalização surgiu no primeiro PNT, e desde então vem trabalhando para formar ao menos três produtos de qualidade em cada estado da Federação. Os mais curiosos e ávidos por informações detalhadas podem entrar aqui, aqui e aqui para saciar o desejo por conhecimento). O que isso quer dizer? De forma mais direta e clara é: receberemos investimentos! Segundo o site do Ministério do Turismo, “‘O mapa da regionalização orienta a atuação de políticas e investimentos do MTur pelo país’, diz Vinicius Lummertz, secretário nacional de Políticas de Turismo. Assim que o novo mapa for concluído, o MTur classificará o nível de desenvolvimento (que varia de 1 a 3) de cada uma das regiões turísticas e definirá as necessidades de investimento de cada localidade”. Nossa região passará a aparecer no mapa de destinos, e isso trará diversos desdobramentos. O mais facilmente detectável é o benefício financeiro, claro. É com ele que a ideia de um roteiro turístico poderá ser executada com sucesso. Mas também atrairá investimento em treinamentos e infraestrutura, desde a que é mais básica até a que é mais específica para a atividade turística. É um ganho, não se pode negar. Ainda utilizando o mesmo site do Ministério, o “Vale do Ivaí: É composta por 18 municípios. Concentra dois importantes santuários religiosos do Estado, um dedicado a Santo Expedito e outro à Santa Rita de Cássia, ambos interligados pelo circuito Rota da Fé. Por fim, os recursos naturais e a o setor agrícola pautam o desenvolvimento de atividades vinculadas ao turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura, com destaque para as quedas d’água do município de Faxinal”. Temos potencial turístico em diversas áreas!

Mapa do Vale

Mapa do Vale

Desse potencial, a ideia de um roteiro bem estruturado e que contemple, se não todos, ao menos uma grande parte dos atrativos, não é nova. As professoras Michele e Lorena trabalham em seu projeto de extensão já a um bom tempo visando colocar o Vale do Ivaí como um destino turístico. Um dos frutos desse trabalho é o portal turístico do Vale, chamado Território Vale do Ivaí. Esse portal funciona como uma vitrine de todos os destinos da região, listando atrativos, infraestrutura de hospedagem, alimentação, lazer. É atualizado constantemente, com a ajuda dos alunos do curso de turismo da FECEA, e que ainda vai se desenvolver muito, ainda mais agora com o possível suporte do Ministério, através da gestão descentralizada. E muita coisa ainda vai ser mostrada, como o documentário, produto também do projeto de extensão, sobre a diversidade cultural encontrada no Vale. E o grande mérito nisso tudo é que o Vale do Ivaí começou a se mostrar devido ao projeto já citado acima. Sem ele, talvez agora não estaria eu aqui celebrando a notícia de que somos uma das novas regiões turísticas do Paraná. Eis então a importância de se estudar a região em que estamos inseridos. Enquanto boa parte das pessoas não acredita que o turismo possa acontecer em suas cidades (me refiro aos moradores daqui), faz parte do papel do turismólogo e docente detectar essas potencialidades e atuar positivamente junto à comunidade. E, talvez, as ofertas de emprego sejam cada vez maiores aqui, e nas outras novas regiões também. Digo “talvez” porque ainda é preciso que as coisas se consolidem. Não há como auferirmos isso somente com a notícia dada pelo Ministério, mas é um bom indicador. A atividade turística e os atores desse mercado têm muito a colher nos próximos anos.

Muitos cenários, diversas culturas.

Muitos cenários, diversas culturas.

Fico sempre feliz por ver que minhas escolhas se mostram acertadas. O fato de não ter migrado para outras regiões do Brasil, mesmo quando tive a chance (ou as chances), e ter insistido em trabalhar por aqui, hoje pode servir como um incentivo a quem quer investir seu tempo em sua própria região, sendo ela de aparente pouco apelo turístico. É muito bom ver que o trabalho árduo dos nossos professores resulta em algo tão benéfico para toda a comunidade. Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto todo!

As referências desse texto estão espalhadas ao longo do mesmo, por isso, não farei uma lista agora ao final.

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Turismo sustentável e a cidade inteligente

buzios

Essa é uma postagem menor!

Ontem, 13/12/12, ao assistir um noticiário, o Jornal da Globo, uma matéria muito interessante foi mostrada (clique aqui para ver a matéria). A cidade inteligente e sustentável. Búzios, no Rio de Janeiro, está sendo utilizada como projeto para esse tipo de desenvolvimento urbano. Como sabemos, Búzios é uma cidade turística movimentada e lembrada com um certo charme, principalmente depois da visita da atriz Brigitte Bardot, nos anos 60. E hoje, por ser uma cidade com população pequena, pôde ser usada como piloto para a aplicação de formas de geração de energia limpa e sustentável.

Pesquisando sobre isso, encontrei que esse projeto de Búzios ficou entre os 10 projetos mais inovadores do mundo na área de infraestrutura urbana, numa lista feita por uma consultoria internacional chamada de KPMG. Espera-se que, até 2015, Búzios seja a cidade número 1 na América Latina em consumo eficiente de energia. Isso traz uma série de benefícios tanto para a população local como para os turistas. Com o uso eficiente de energia, é possível diminuir custos em diversas áreas, como hotelaria e A&B e, com isso, menores serão os preços para o turista, sem contar no desenvolvimento da atividade turística gerando menos impactos do que causaria em outra cidade. Búzios está caminhando para se tornar um modelo a ser seguido – apesar dos altos custos do projeto, avaliado em R$ 35 milhões – mas que possibilitam às cidades (turísticas e não turísticas) melhores condições de vida para seus moradores e visitantes.

Será que, com projetos como esse, que utilizam energia eólica e solar, carros elétricos, medidores de energia inteligente e mais uma porção de novidades, podem ser mesmo uma realidade no turismo do futuro?