Viver do Turismo

A indústria do futuro!

Arquivo para Geral

New Zealand, Aotearoa

 

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Kia ora pessoal, tudo certo?

Volto a postar aqui nesse blog e agora será uma sequência de postagens sobre a Nova Zelândia!

Eu fiz um mochilão de três meses pra lá entre maio e agosto agora de 2015 e vi muitas coisas legais que eu gostaria de contar. Então eu resolvi começar uma série de vídeos pra poder contar com maiores detalhes e informações esse meu tempo em terras estrangeiras. No primeiro vídeo eu falo sobre os aspectos iniciais de uma viagem, como passagem aérea, bagagem, aeroportos, visto e a chegada na NZ. Não reparem na falta de edição decente no vídeo porque foi a primeira vez que eu editei algo hahahaha, então alguns cortes ficaram meio bruscos 😦

Algumas informações eu não coloquei no vídeo pois são coisas que mudam de acordo com o período da viagem, como por exemplo o valor da passagem aérea. Para completar então o que eu falo no vídeo, a passagem aérea eu paguei R$ 4.300,00. Esse é um valor interessante para a Nova Zelândia pois o preço normal de um bilhete ida e volta pra lá é de cerca de 6 mil reais.

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Portão de boas vindas no aeroporto de Auckland

Nos próximos vídeos abordarei sobre as cidades que eu passei, o estilo de vida neozelandês, as formas de se viajar barato por lá, como funciona o turismo na NZ, informações sobre hostel, hotéis, ônibus, custos de mercado e muito mais. Espero que vocês gostem e espero a avaliação de vocês para poder melhorar nos vídeos.

Curtam então o vídeo lá no youtube, dando aquele joínha pra ajudar a rapaziada. Tem a página da Trinus também, que é meu novo negócio: Trinus Agência

 

Novamente o Turismo na Favela

Brazil - 2172

Olá a todos.

Novamente esse assunto. Já escrevi uma vez sobre esse tema, o turismo em favelas, abordando como o marketing pode ser um dos fatores que geram a demanda para esse tipo de visitação. Sempre fico intrigado em como os desejos turísticos podem ser bizarros e pouco usuais. Já me deparei com milhares de artigos de sites de notícias que discorrem sobre “novos tipos de turismo” e, entre eles, sempre há o turismo para caçar animais selvagens, turismo para conhecer as partes menos favorecidas economicamente das localidades, turismo para conhecer pontos de crimes brutais…e muitos outros. A lista cresce cada vez mais, cada nova matéria aborda sobre uma nova “tendência” turística. Sei lá, são coisas, por vezes, absurdas e de difícil entendimento em um primeiro momento.

Eis que hoje encontro o blog de um escritor que acompanho já por alguma tempo, o Alex Castro (clique aqui e veja o site dele, recomendo bastante). Os textos dele aparecem em diversos sites e até então eu nunca havia entrado no dele próprio. Nesse ambiente, lendo seus textos, há um que fala sobre exatamente esse tema do turismo em favelas, escrito de forma muito interessante e que faz referência a um trabalho escrito por uma pesquisadora chamada Bianca Freire Medeiros. No meu artigo anterior sobre o turismo em favelas eu acabei lendo muitos artigos publicados por essa pesquisadora e foram esses artigos que me fizeram postar aquele primeiro texto. Como eu acredito que assuntos como esse devem ser abordados, analisados e debatidos com mais profundidade, posto agora o texto do Alex Castro. Não estranhem a forma de escrita, o Alex Castro tem um modo diferente e que aprecio muito. Há uma explicação no final do texto. Ei-lo:

turismo na favela

de uns tempos pra cá, virou moda: turistas vêm ao rio e não querem mais conhecer o corcovado ou o pão de açúcar, mas sim a favela da rocinha e do vidigal. estão as pessoas gringas se aproveitando das faveladas? ou são as pessoas faveladas que estão cambalachando as gringas? o turismo estimula o progresso das favelas ou garante que nunca saiam da mesma estagnação?

o pós-turista

o turismo nas favelas é uma faceta no novo “pós-turismo”.

agora que pessoas de poder aquisitivo cada vez mais baixo já podem visitar os destinos turísticos tradicionais (a classe média sofre com esses pobretões na fila da disney!), as novas pós-turistas, para se distanciar da ralé e reestabelecer a distância original, precisam buscar novas experiências turísticas, mais inusitadas, mais interativas, mais aventureiras, indo a lugares que seriam a antítese do antigo turismo, localidades antes marginais e agora reinventadas e reapropriadas.

em outras palavras, com tantas pessoas pobres agora lotando gallerie laffayette, em paris, suas antigas frequentadoras hoje fazem safari tours em favelas.

a indústria do turismo classifica a pobreza como exótica, a transforma em mercadoria e a vende para turistas que queiram participar dessa “economia de sensações”, onde o que compram é justamente a sensação voyeurítica de poder vivenciar a pobreza e a miséria sem precisar, para isso, serem pobres e miseráveis.

o capitalismo celebra toda a diferença que seja capaz de mercantilizar.

turismo da miséria: prós e contras

eu sou do rio, morei por seis anos em nova orleans e faço pesquisas em havana. são três cidades turísticas (e lindas, diga-se de passagem) onde se faz esse “turismo da pobreza”.

no rio, são as favelas. em nova orleans, é a destruição causada pelo furacão katrina. em havana, são os prédios em ruínas. sempre cercados de belgas bem alimentados, calçando birkenstocks e tirando fotos com máquinas cujo valor alimentaria uma família local.

isso é bom?

para defensores da prática, ela tem as seguintes vantagens:

  • melhorar o desenvolvimento econômico da região;
  • conscientizar turistas;
  • aumentar a autoestima da população;
  • forjar lideranças locais;
  • compartilhar recursos e conhecimento entre pessoas que não teriam se encontrado se não fosse o turismo.

para quem está contra, existiriam dois grandes problemas:

  • os benefícios gerados vão em grande parte para as pessoas proprietárias das agências e não revertem em melhorias e investimentos nas comunidades;
  • mais que conscientização e mobilização social, essas visitas gerariam um certo voyeurismo diante da pobreza e do sofrimento.

quem é a turista da miséria?

em seu livro gringo na laje, a socióloga bianca freire-medeiros traçou um interessante estudo do turismo na favela da rocinha, falando com moradoras, turistas, guias de passeio e proprietárias de agência.

segundo suas pesquisas, a principal característica dessa turista seria sua ansiedade de se diferenciar:

  • das moradores; afinal, o turismo na favela não deixa de ser uma maneira de darem mais valor aos confortos materiais de casa.
  • das turistas convencionais, que só vão aos pontos turísticos previsíveis e jamais teriam coragem de encarar uma favela.
  • das turistas voyeurs e pouco engajadas, que visitam as favelas do jeito errado, como abutres, sem contribuir, sem ajudar, etc.
  • da elite local, preconceituosa e com medo de conhecer sua própria cidade.

mais do que tudo, essas turistas estão buscando por uma mítica “experiência verdadeira”, uma certa “realidade nua e crua” a qual teoricamente não têm mais acesso em casa – como se suas vidas afluentes e confortáveis na europa fossem menos reais e menos verdadeiras do que as vidas dos favelados da rocinha.

e saem do passeio com a sensação de terem desfrutado de uma experiência completamente inalcançável e intransferível, seja aos turistas comuns, seja às elites locais.

essa busca ansiosa pela ilusória “mediação não mediada” baseia-se na crença de que existem experiências turísticas “autênticas” que podem acontecer sem a mediação da indústria do turismo, sem serem produtos culturais prontos e pré-fabricados.

ou seja, é a miragem de que o produto “passeio de um dia na favela da rocinha”, vendido por uma agência de turismo, é intrinsecamente mais autêntico do que o produto “passeio de um dia no corcovado”, vendido pela mesmíssima agência.

para que a visita à favela sirva seu objetivo, a turista precisa se convencer que a sua visita, ao contrário das das outras turistas voyeurs, é um ato ético e solidário.

a experiência não deixa de trazer consigo uma certa ansiedade: afinal, como uma praia deserta, se todas a visitarem, ela deixa de ser deserta.

nesse ponto, o valor da favela está em ser exclusiva e fora do mainstream; quanto mais turistas a visitarem, menos desejável ela se torna como fator de diferenciação.

fica claro que, nessa economia de sensações do turismo da miséria, o que está sendo vendido à turista é principalmente uma certa sensação de superioridade moral e intelectual.

o que pensam as moradoras das favelas

a principal ilusão das turistas é que seus passeios trazem algum benefício à comunidade.

de fato, as agências são operadas de fora da favela e os lucros vão para suas proprietárias. quando muito, comerciantes da favela tem um pequeno aumento de vendas, mas a maioria diz que turistas só querem saber de tirar fotos e comprar água.

em muitas ocasiões, fica claro que as turistas querem apenas uma confirmação de sua própria imagem mental da favela. conta uma moradora:

“uma vez, quando meu filho era mais novo, [algumas turistas] quiseram tirar foto dele, mas quando cheguei com ele [que é branco], eles não quiseram, porque eles queriam um neguinho.”

na verdade, como disse um comerciante, as turistas dão somente uma pequena ajuda nos lucros, mas seu maior valor está em tirar a impressão de lugar violento que a favela tem. por isso, grande parte das pessoas moradoras vê esse tipo de turismo de modo positivo.

para as moradoras, a questão não é nem tanto se o turismo na favela deveria existir ou não, mas de que maneira ele poderia beneficiar a comunidade. a maioria das turistas pensa estar ajudando a comunidade simplesmente ao participar do passeio, mas as moradoras têm outra ideia do que constituiria ajuda:

“os turistas … às vezes … só passam pelos lugares mais ricos… [s]e eles fossem lá… onde o pessoal é mais necessitado, talvez eles pudessem se inspirar em limpar o lugar, talvez alguém se interessasse em ajudar os moradores… alguém poderia trazer dinheiro, consertar um cano. isso iria beneficiar a galera lá, porque ia incentivar os moradores a consertar as casas, tirar a lama, tirar o lixo.”

a questão do cheiro

o cheiro ruim é essencialmente subversivo. ele não pode ser banido, controlado, pasteurizado, estetizado.

se a fotografia permite que a miséria mais degradante transforme-se em objeto estético (oi, sebastião salgado), o cheiro não se presta a isso.

a vala aberta, o esgoto imundo, o lixo ao sol, o rato morto, nenhum deles pode ser tão facilmente domesticado, empacotado, vendido e distribuído ao mundo como uma bela foto de uma menina pobre e remelenta.

o cheiro exige ser confrontado: ou você fala sobre ele, ou você fica calado. não existe meio termo.

e, não por acaso, os relatos sobre visitas às favelas abundam em fotos, mas contém muito poucas referências ao cheiro.

nós também fazemos parte do problema

essa história não tem mocinhas nem vilãs. as faveladas não são pobres coitadas incapazes de pensar criticamente sua situação. as estrangeiras não são babacas ou iludidas ou ingênuas. as guias de turismo e donas de agência não estão explorando a favela.

senão, podemos acabar falando coisas assim:

“cabe a nós, elite ilustrada não-favela, defender as pessoas faveladas dessas turistas desalmadas e voyeuristas que as veem como animais em jaulas.”

na verdade, nosso papel nessa história é outro.

quando as turistas se gabam de visitar a favela, um lugar onde a preconceituosa elite local se recusa a ir… é de nós que estão falando.

quando as moradoras dizem que o maior benefício do turismo é quebrar a invisibilidade social da favela e ajudar a refutar os estigmas de violência e miséria… é de nós que estão falando, nós que criamos essa invisibilidade, nós que perpetuamos esse estigma.

e então? o que nós vamos fazer?

* * *

o texto que você acabou de ler é um resumo e uma paráfrase do livro gringo na laje: produção, circulação e consumo da favela turística, de bianca freire-medeiros, publicado pela editora fgv em 2009, e disponível em uma edição de bolso baratinha. recomendo com ênfase.

* * *

aviso sobre linguagem e gênero

o texto acima fez uma valente tentativa de ser unissex e usar uma linguagem de gênero sempre neutra. todas as explicações e argumentos, sem exceção, se aplicam igualmente a homens e mulheres, pessoas cis e trans*, pessoas hétero, homo e bissexuais. se alguma frase ou construção pareceu excluir essa ou aquela identidade, sexo, gênero ou orientação, foi descuido meu. por favor, avisem e vou corrigir. para mais detalhes sobre como utilizar uma linguagem menos sexista, por favor, confira meu mini-manual pessoal para uso não sexista da língua.

Vale do Ivaí, nova região turística do Paraná!

capital do Vale do Ivaí

Apucarana – Capital do Vale do Ivaí

Depois de meses sem postar nada, estou de volta. Esse ano as coisas estão meio estranhas, e não tenho feito as coisas como havia planejado. Mas agora tenho voltado, parece, ao controle das ideias e retorno a fazer uma das coisas que mais gosto: escrever. E uma notícia me motivou a escrever esse post: Vale se torna região turística. Antes de entrar de vez no assunto que quero, lembro que sempre trabalhei com o mercado turístico desde o primeiro ano de estudos na faculdade, e nunca deixei de trabalhar na área, jamais precisando sair da região para ser um turismólogo, visto que os empregos existem, e aos montes, basta um pouco de força de vontade e perseverança. Obviamente, não é uma tarefa fácil sobreviver do turismo, mas isso acontece tanto aqui quanto em regiões puramente turísticas, e também porque não temos regulamentação para assegurar nossa importância no mercado de trabalho, mas isso é um assunto à parte e que merece um texto próprio. Escrevo isso para demonstrar, principalmente aos turismólogos que estão se formando por agora, que a região em que moramos oferece muitas oportunidades de trabalho. Muitas vezes, é aqui, se doando um pouco, que a experiência é adquirida para que, mais pra frente, os voos sejam cada vez maiores! E isso também tem relação com o assunto que começo abaixo.

Como já escrevi anteriormente, sou professor de uma faculdade, no curso de turismo. A notícia acima refere-se, justamente, à Instituição de Ensino Superior na qual leciono, a FECEA – Faculdade Estadual de Ciências Econômicas de Apucarana, um campus da recém criada UNESPAR, a Universidade Estadual do Paraná. A notícia é sobre um projeto de extensão das professoras Michele da Costa e Lorena Mancini (às quais devo muito da minha formação e tenho admiração e respeito gigantescos por elas), que visa mapear o potencial turístico da região em que estamos inseridos, que é o Vale do Ivaí, no norte do Paraná. Com esse projeto, espera-se, ao final, definir uma rota turística por essa região do Estado, tão cheia de atrativos e histórias mas que é pouco conhecida. Mas essa reportagem (saiu também em mídia impressa no jornal Tribuna do Norte, de Apucarana, com mapas e muitas ilustrações legais) faz parte de um contexto muito maior. Como parte do Programa de Regionalização do Turismo,  o Paraná passou por uma reorganização em suas regiões de interesse turístico, contando agora com quatro novas regiões, e uma delas é o Vale do Ivaí (alguém aí lembra do PNT 2003 -2007, e do 2007- 2010???? Esses que, aliás, são assunto de estudo em praticamente todos os cursos de turismo e de grande importância para entendermos e analisarmos os rumos da atividade turística. Já que fiz esse adendo, é interessante ressaltar que o Programa de Regionalização surgiu no primeiro PNT, e desde então vem trabalhando para formar ao menos três produtos de qualidade em cada estado da Federação. Os mais curiosos e ávidos por informações detalhadas podem entrar aqui, aqui e aqui para saciar o desejo por conhecimento). O que isso quer dizer? De forma mais direta e clara é: receberemos investimentos! Segundo o site do Ministério do Turismo, “‘O mapa da regionalização orienta a atuação de políticas e investimentos do MTur pelo país’, diz Vinicius Lummertz, secretário nacional de Políticas de Turismo. Assim que o novo mapa for concluído, o MTur classificará o nível de desenvolvimento (que varia de 1 a 3) de cada uma das regiões turísticas e definirá as necessidades de investimento de cada localidade”. Nossa região passará a aparecer no mapa de destinos, e isso trará diversos desdobramentos. O mais facilmente detectável é o benefício financeiro, claro. É com ele que a ideia de um roteiro turístico poderá ser executada com sucesso. Mas também atrairá investimento em treinamentos e infraestrutura, desde a que é mais básica até a que é mais específica para a atividade turística. É um ganho, não se pode negar. Ainda utilizando o mesmo site do Ministério, o “Vale do Ivaí: É composta por 18 municípios. Concentra dois importantes santuários religiosos do Estado, um dedicado a Santo Expedito e outro à Santa Rita de Cássia, ambos interligados pelo circuito Rota da Fé. Por fim, os recursos naturais e a o setor agrícola pautam o desenvolvimento de atividades vinculadas ao turismo rural, ecoturismo e turismo de aventura, com destaque para as quedas d’água do município de Faxinal”. Temos potencial turístico em diversas áreas!

Mapa do Vale

Mapa do Vale

Desse potencial, a ideia de um roteiro bem estruturado e que contemple, se não todos, ao menos uma grande parte dos atrativos, não é nova. As professoras Michele e Lorena trabalham em seu projeto de extensão já a um bom tempo visando colocar o Vale do Ivaí como um destino turístico. Um dos frutos desse trabalho é o portal turístico do Vale, chamado Território Vale do Ivaí. Esse portal funciona como uma vitrine de todos os destinos da região, listando atrativos, infraestrutura de hospedagem, alimentação, lazer. É atualizado constantemente, com a ajuda dos alunos do curso de turismo da FECEA, e que ainda vai se desenvolver muito, ainda mais agora com o possível suporte do Ministério, através da gestão descentralizada. E muita coisa ainda vai ser mostrada, como o documentário, produto também do projeto de extensão, sobre a diversidade cultural encontrada no Vale. E o grande mérito nisso tudo é que o Vale do Ivaí começou a se mostrar devido ao projeto já citado acima. Sem ele, talvez agora não estaria eu aqui celebrando a notícia de que somos uma das novas regiões turísticas do Paraná. Eis então a importância de se estudar a região em que estamos inseridos. Enquanto boa parte das pessoas não acredita que o turismo possa acontecer em suas cidades (me refiro aos moradores daqui), faz parte do papel do turismólogo e docente detectar essas potencialidades e atuar positivamente junto à comunidade. E, talvez, as ofertas de emprego sejam cada vez maiores aqui, e nas outras novas regiões também. Digo “talvez” porque ainda é preciso que as coisas se consolidem. Não há como auferirmos isso somente com a notícia dada pelo Ministério, mas é um bom indicador. A atividade turística e os atores desse mercado têm muito a colher nos próximos anos.

Muitos cenários, diversas culturas.

Muitos cenários, diversas culturas.

Fico sempre feliz por ver que minhas escolhas se mostram acertadas. O fato de não ter migrado para outras regiões do Brasil, mesmo quando tive a chance (ou as chances), e ter insistido em trabalhar por aqui, hoje pode servir como um incentivo a quem quer investir seu tempo em sua própria região, sendo ela de aparente pouco apelo turístico. É muito bom ver que o trabalho árduo dos nossos professores resulta em algo tão benéfico para toda a comunidade. Parabéns a todos os envolvidos nesse projeto todo!

As referências desse texto estão espalhadas ao longo do mesmo, por isso, não farei uma lista agora ao final.

Meu “eu turista”

*Esse post não é sobre um assunto acadêmico, nem terá referências bibliográficas…é somente um assunto que eu quis escrever, biográfico*

Já quis morar em vários lugares desse mundo. Desde pequeno, meu sonho sempre foi viajar, morar por um tempo em outros países, viver a rotina de uma outra sociedade, ir ao mercado de lá e poder dizer: nossa, no Brasil é mais barato! E foram tantos os lugares que já me encantaram nesses 26 anos e que eu já sonhei de noite em como seria minha vida lá. Então, de uns tempos pra cá comecei a lembrar todos os lugares e perceber o quanto eu fui mudando ao longo do tempo e em como minha percepção de turismo mudou também. Nós crescemos e os desejos mudam, e isso se reflete também no nosso “eu turista” (não achei termo melhor e também não pensei muito sobre, hehehe). O turismo que tanto estudamos e ensinamos nas salas de aula depende muito desse “eu turista” das pessoas, e saber entender e interpretar isso é que vai fazer de nós bons profissionais e bons viajantes. Principalmente bons viajantes!

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Seattle e a Space Needle.

Acho que o primeiro lugar de todos foi Seattle, quando eu tinha 6 ou 7 anos. Eu não sabia nada sobre a cidade, nem sobre os Estados Unidos, nem sobre viajar, nem sobre praticamente nada, mas aquelas fotos com o Space Needle em destaque me fascinavam e eu falava aos meus amigos que Seattle era a cidade que iria morar no futuro. Não existia wikipedia, a internet ainda era um embrião e a fonte de informações era a biblioteca. Em casa eu tinha aquela enciclopédia Barsa e uns outros almanaques que meu pai comprava, e era com eles que eu aprendia sobre as mais diversas coisas, inclusive sobre Seattle. É tão legal ler e aprender sobre uma cidade, tudo parece tão perfeito e ideal para nós. E eu ficava lá, descobrindo a posição geográfica, sistema de transporte, pontos turísticos. Mas eu era uma criança ainda…

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Cerejeiras no Japão.

Japão! Minha nossa, esse foi o segundo destino que escolhi para viver. E foi um desejo profundo. Eu tinha 15 ou 16 anos…era a época do “boom dos animes”, e eu aprendi a desenhar no estilo mangá. Consumia tudo que conseguia sobre a cultura japonesa. Fiz parte de fóruns de discussão, comprava revistas que mostravam o país, lia mangás, assistia animes, desenhava minha própria revista (fanzine) e trocava por outros fanzines…e o Japão se fixou na minha vida. A cidade que eu escolhi foi Quioto, com seus milhares de templos e jardins. Mais uma vez a Barsa me ajudou a descobrir. Conheci o budismo nessa época também. Mas agora era diferente de Seattle…eu precisava de mais. E aí lá fui eu aprender a ler e tentar falar o japonês! Por muito tempo estudei sozinho o idioma, peguei livros didáticos japoneses emprestados, escrevi e reescrevi vários tipos de frases. Escutei músicas em japonês, tentei cantá-las. Tudo isso me deixou pronto para viver lá um dia. Um dia…mas, pra variar, essa época passou. Mas o que aprendi sobre o Japão ainda faz parte da minha vida. Principalmente o budismo (não que eu seja budista, mas é a religião que mais tenho simpatia). A filosofia oriental passou a ser mais predominante na minha vida. O entendimento das diferenças entre oriente e ocidente, o respeito entre essas diferenças, passou a ser uma constante. Com o Japão, aprendi que o que é diferente é interessante, é bom e que vale a pena conhecer, que não se pode passar por esse mundo sem se deliciar com essas diferenças. Diferentemente se Seattle, posso dizer que conheci o Japão de verdade, sem ter saído de casa. Se um dia eu puder ir até lá, tenho quase certeza de que me sentirei como se estivesse visitando um amigo a muito distante. E um turista precisa ter um pouco disso para poder ter uma experiência mais verdadeira, estou errado?

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Um dos meus desenhos!

Depois do Japão, poucos lugares exerceram um fascínio tão grande em mim (acho que somente a Nova Zelândia…que vou escrever mais pra frente). Portugal foi o próximo. Lisboa! Minha avó é portuguesa e, eu então com 18 anos, passei a pensar: vou tirar minha cidadania e ir pra lá! Comprei uma revista de viagem que era especial sobre Portugal e percebi como era bela aquela terra. A revista destacava todas as regiões, as principais cidades, o modo de vida e muitas outras coisas. E Portugal, um país que eu conhecia pouca coisa e ainda fazia piada, foi tendo novas cores. Barsa!!!! Novamente ela me ajudou, a internet ainda não estava tão presente. Li tantas vezes o verbete Portugal que até decorei alguns pedaços. Só que não foi como o Japão. Portugal foi perdendo o brilho, e eu descobri como era difícil a vida de um brasileiro que ia morar fora. E então a internet teve papel importante. Os relatos me desanimaram muito. Não encontrei um sequer que dizia coisas boas sobre a vida do migrante. E eu “conhecia” tanto Lisboa e Portugal que não queria acreditar que era assim tão ruim morar lá. Aquelas belas imagens do Chiado, do Bairro Alto, de Estoril…tudo caiu, e ficou um arrependimento de ter pensado em viver lá. Me senti enganado. Mas isso também foi importante para formar quem eu sou hoje e para formar minha opinião turística das localidades. Portugal foi um engodo!

Seguiu-se Nova Iorque. E essa é uma cidade que ainda gosto muito e quero viver um dia. Não há muito o que falar sobre ela, quem já conhece confirma. E dessa eu tenho certeza que nunca me sentirei enganado. Já descobri tantas coisas sobre a big apple que o encantamento se tranformou numa admiração, em como essa cidade mudou e agora é um templo internacional de viajantes. Os hotéis daquele lugar…ah, quantos currículos já mandei hahahahaha!! O metrô, os bairros, os prédios. O Google Street View foi uma grande ajuda. Mas a Barsa também ajudou a formar a base do conhecimento sobre a cidade. Sempre gostei de arranha-céus. Queria ser arquiteto, e essa é uma cidade incrível para se ter gosto da arquitetura. Eu já estava um pouco maior, então aprendi a não confiar muito no que lia e nem desacreditar completamente. Aprendi a separar a informação boa da ruim. E vi que teria que fazer isso pra sempre, para poder saber que lugar merecia uma visita. Nova Iorque é um deles, mas não quero ir como turista, quero passar um bom tempo lá…essa é uma experiência que deve ser vivida por todo mundo, eu acho.

Na mesma época de Nova Iorque, teve também Paris e Itacaré! Tudo tão misturado, mas todos nos seus devidos lugares e hierarquias. Itacaré era para passar uma temporada, vivendo um estilo de vida que denotava liberdade. Paris era pra passar outra temporada, e de lá eu iria para San Tropez!! Foi por Paris que eu acabei tendo vontade de aprender francês, e de fato comecei a estudar (sozinho, como sempre) para poder aprender esse idioma. E aprendi o básico, o suficiente para entender uma conversa. Essas duas cidades eram mais sonho mesmo, com desejos mais idealizados e pouco realistas. Eu sempre gostei de imaginar a vida perfeita em algum lugar, e essas duas opções serviram para isso, para poder dar vazão à minha mente inventiva, sonhadora e desajustada. Da mesma forma que NY me fez perceber como era importante separar as informações, Paris e Itacaré me mostraram como construir um sonho de viagem perfeita e, talvez, acabar sendo um turista bem turista, com máquina fotográfica, bermuda, mapa e chapéu! E eu já estava na faculdade de turismo, e estava ganhando uma nova percepção das coisas. Turismo de massa, turismo sustentável, turismo cultural…coisas que eu não achava que existiam passaram a mudar, de novo, as concepções. Todos esses destinos, percebi, eram desejos de turista tradicional (tirando o Japão). Depois vieram outros, claro, como os países escandinavos e suas respectivas capitais; Buenos Aires; Curitiba; Edimburgo; Singapura; Vancouver…e eu já era professor do curso de turismo quando veio a Nova Zelândia.

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Pássaro Kiwi, só existe na Nova Zelândia.

Por motivos não importantes aqui, passei a querer conhecer a “Nuzilla”, em meados de 2011. Nada sabia a respeito, a não ser que ficava do lado da Austrália e era um país pequeno e longe! Primeiro, uma visita rápida na página do Wikipedia sobre o país. Beleza…depois, blogs e mais blogs de viagem que pudessem falar mais um pouco. Mas era tudo meio repetido, e não era isso que eu queria. Veio então a Copa do Mundo de Rugby de 2011, que foi realizada na Nova Zelândia, e foi aí que tudo começou a evoluir. Muitos sites falavam a respeito da copa e, consequentemente, do país sede. Conheci os All Blacks, a seleção de rugby neozeolandesa, conheci a história dessa seleção, conheci esse esporte que até então era totalmente desconhecido pra mim. Me apaixonei pelo rugby (hoje jogo e me envolvo muito com a divulgação do rugby aqui na minha cidade), me apaixonei pela Nova Zelândia. Tinha um blog chamado Nossa Vida na Nova Zelândia, da Jeanine Almeida, que foi uma ótima fonte de informações. Nesse blog eu passei a aprender ainda mais sobre esse país incrível. Relatos, modo de vida, diferenças brutais de qualidade de vida e respeito entre os cidadãos, mercado de trabalho…fui atrás de adicionar a dona do blog no facebook, para poder ter mais contatos. Ela me indicou outro blog, chamado Vomit Bag, de um sujeito que lá tinha ido morar. Novamente, outras informações essenciais. E fui descobrindo a beleza desse pequeno país, de população pequena, tranquila e esportista. Cada cidade me parece incrível! E aí foram surgindo as notícias de que a Nova Zelândia está no top 10 de melhores países do mundo, zero em corrupção, top em educação, emprego, sistema de transporte, transparência governamental…tudo que eu sempre achei que era impossível numa sociedade, lá existe. Tudo que me irrita no Brasil, lá não existe. Outro blog também ajudou, o Aventura Kiwi, da Mônica Moraes, que deu um outro olhar nas minhas pesquisas. Comecei a conhecer as empresas aéreas que faziam vôos pra lá, qual era melhor, quanto tempo de viagem. A Nuzilla é um bom país para se conseguir emprego e tocar a vida de forma tranquila (isso se você não é ambicioso e quer ganhar rios e rios de dinheiro), porque eles precisam de muita mão de obra qualificada em praticamente tudo, devido à sua população ser muito pequena. Por isso, entrar como turista e permanecer lá como um trabalhador é facilitado pelo governo, que até incentiva a ida de estrangeiros. As distâncias são curtas, as paisagens mudam drasticamente em kilômetros, é possível ter acesso às melhores universidades, rodovias, hospitais, infraestrutura urbana…e lá foi filmado O Senhor dos Anéis e agora O Hobbit, que são parte da minha vida desde muuuuuuuito tempo! Conversei com várias pessoas que estão residindo lá, colhi milhares de informações nos sites governamentais (é incrivel como tudo que precisamos saber sobre esse país é possível encontrar nos sites do governo, é tudo muito organizado), conversei novamente com residentes e neozeolandeses de nascimento, andei por todas as ruas das principais cidades através do Google Street View, procurei emprego nos sites de empregos, mandei currículos, recebi respostas, mesmo quando era pra me informar de que eu não seria escolhido por estar longe, mas quando eu estivesse lá eles teriam prazer em me empregar. É claro, não é o lugar perfeito, como nenhum lugar no mundo é, mas tudo lá me fascinou tanto que hoje eu sei que é lá que quero morar, quando nada mais der certo aqui e o Brasil estiver afundado em sua corrupção e seu jeitinho. O rugby me fez aprender um novo sentido de amizade, companheirismo e confiança. Os maori, povo autóctone da Nova Zelândia, me ensinaram outra forma de encarar os desafios, tive contato com o haka e com a ligação entre a terra e a cultura. Isso sem contar na organização para receber o turista, nos destinos turísticos, logística turística e tudo o mais relacionado à nossa área de trabalho. A Nova Zelândia superou o Japão pra mim, e mudou toda a minha vida. Até acabei tendo uma percepção de turismo muito anárquica depois de conhecer esse país, e sei que nenhum outro lugar no mundo conseguirá me fazer mudar de opinião. Amadureci meu “eu turista”, abri a mente e o coração. Afinal, ensinar o que sei depende disso, de ter certeza de quem eu sou e como eu sou através do turismo, que é muito mais do que viajar por aí consumindo bens culturais. Quando eu for pra Nova Zelândia (eu sei que vou), serei turista por um tempo, mas um turista diferente. Toda essa saga de descoberta me fez melhor em muitos aspectos, outros talvez eu não seja tão bom, afinal, sou um ser humano, mas aos poucos sei que caminharei na direção certa…aos erros e acertos da vida, pelo menos sei que eu não serei um turista de massa, e isso me faz um cidadão consciente.

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Rugby e os All Blacks!

Nunca estive pessoalmente em nenhum desses lugares, mas os conheço como se tivesse visto. Chega de divagações…ainda tenho muito a aprender, descobrir e ensinar. A todos que leram isso tudo que escrevi…e vocês? Qual a sua percepção de seu “eu turista”?

ps: http://aventurakiwi.wordpress.com/ o blog da Mônica Moraes…o da Jeanine me parece que está fora do ar!

Turismo de luxo

1422959Paris Triunfo

Paris…je t’aime Paris…J’aime vôtre unicité…unique pour moi!

Ser Especial
25/11/2012 – 03h00

Afinal, qual a graça de ter muito dinheiro? Quanto mais coisas se tem, mais se quer ter e os desejos e anseios vão mudando –e aumentando– a cada dia, só que a coisa não é assim tão simples. Bom mesmo é possuir coisas exclusivas, a que só nós temos acesso; se todo mundo fosse rico, a vida seria um tédio.

Um homem que começa do nada, por exemplo: no início de sua vida, ter um apartamento era uma ambição quase impossível de alcançar; mas, agora, cheio de sucesso, se você falar que está pensando em comprar um com menos de 800 metros quadrados, piscina, sauna e churrasqueira, ele vai olhar para você com o maior desprezo –isso se olhar.

Vai longe o tempo do primeiro fusquinha comprado com o maior sacrifício; agora, se não for um importado, com televisão, bar e computador, não interessa –e só tem graça se for o único a ter o brinquedinho. Somos todos verdadeiras crianças, e só queremos ser únicos, especiais e raros; simples, não?

Queremos todas as brincadeirinhas eletrônicas, que acabaram de ser lançadas, mas qual a graça, se até o vizinho tiver as mesmas? O problema é: como se diferenciar do resto da humanidade, se todos têm acesso a absolutamente tudo, pagando módicas prestações mensais?

As viagens, por exemplo: já se foi o tempo em que ir a Paris era só para alguns; hoje, ninguém quer ouvir o relato da subida do Nilo, do passeio de balão pelo deserto ou ver as fotos da viagem –e se for o vídeo, pior ainda– de quem foi às muralhas da China. Ir a Nova York ver os musicais da Broadway já teve sua graça, mas, por R$ 50 mensais, o porteiro do prédio também pode ir, então qual a graça? Enfrentar 12 horas de avião para chegar a Paris, entrar nas perfumarias que dão 40% de desconto, com vendedoras falando português e onde você só encontra brasileiros –não é melhor ficar por aqui mesmo?

Viajar ficou banal e a pergunta é: o que se pode fazer de diferente, original, para deslumbrar os amigos e mostrar que se é um ser raro, com imaginação e criatividade, diferente do resto da humanidade?

Até outro dia causava um certo frisson ter um jatinho para viagens mais longas e um helicóptero para chegar a Petrópolis ou Angra sem passar pelo desconforto dos congestionamentos.

Mas hoje esses pequenos objetos de desejo ficaram tão banais que só podem deslumbrar uma menina modesta que ainda não passou dos 18. A não ser, talvez, que o interior do jatinho seja feito de couro de cobra –talvez.

É claro que ficar rico deve ser muito bom, mas algumas coisas os ricos perdem quando chegam lá. Maracanã nunca mais, Carnaval também não, e ver os fogos do dia 31 na praia de Copacabana, nem pensar. Se todos têm acesso a esses prazeres, eles passam a não ter mais graça.

Seguindo esse raciocínio, subir o Champs Elysées numa linda tarde de primavera, junto a milhares de turistas tendo as mesmas visões de beleza, é de uma banalidade insuportável. Não importa estar no lugar mais bonito do mundo; o que interessa é saber que só poucos, como você, podem desfrutar do mesmo encantamento.

Quando se chega a esse ponto, a vida fica difícil. Ir para o Caribe não dá, porque as praias estão infestadas de turistas –assim como Nova York, Londres e Paris; e como no Nordeste só tem alemães e japoneses, chega-se à conclusão de que o mundo está ficando pequeno.

Para os muito exigentes, passa a existir uma única solução: trancar-se em casa com um livro, uma enorme caixa de chocolates –sem medo de engordar–, o ar-condicionado ligado, a televisão desligada, e sozinha.

E quer saber? Se o livro for mesmo bom, não tem nada melhor na vida.
Quase nada, digamos.

DANUZA LEÃO
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/danuzaleao/1190959-ser-especial.shtml

Esse texto foi sugerido por uma amiga, que agora passa a ser uma das contribuintes do blog, a Melina Vicente. Hmmm, lendo esse texto eu pensei: polêmica! Turismo de luxo! Ou o que era pra ser um turismo de luxo…mas que, nas palavras da colunista Danuza Leão, não mais existe. É cada vez mais difícil ter acesso a coisas exclusivas. Essa globalização de hoje juntou todo mundo numa espécie de mesmo degrau. E o cidadão rico perdeu o privilégio de visitar as cidades mais importantes de mundo e poder usar isso como status. É um assunto para muitas discussões sobre os rumos que o turismo está tomando atualmente. Encontramos no texto – irônico ou não – da Danuza menções às formas de pagamento facilitadas, às semelhanças entre uma loja aqui e no exterior, à proximidade das pessoas de várias classes sociais num mesmo local, e ao consumo de itens cada vez mais caros e exclusivos em busca de diferenciação. Ah, sem contar na suposta perda de direito dos prazeres mais banais para as pessoas que enriquecem.

O certo é que em alguns pontos, talvez, o texto passe uma ideia correta. Como já citei em um post anterior, hoje nenhum lugar no mundo é inalcançável. E viajar está se tornando cada vez mais banal, e todos tem acesso. Paris já não é mais uma exclusividade!! (hahahaha) E cada passo da jornada é registrado com uma sequencia infindável de fotos, que, certamente, serão usadas como prova de que você foi um turista daqueles bem tradicionais! Isso acaba refletindo nas empresas turísticas. A busca pela diferenciação é tão grande que hotéis, restaurantes, agências de viagem…todas buscam desesperadamente algum fator que as faça sobressair, atraindo endinheirados em busca de coisas inéditas e detalhes que poucos tenham acesso. É aquela história do turismo pós-industrial…certamento vivenciamos agora uma nova era. E acredito até que nem possa ser chamado de turismo pós-moderno…afinal, as inovações são tantas, os desejos dos turistas são cada vez mais absurdos que essa nomenclatura não vai bem…

E esse turismo de luxo…será que ainda existe? Por favor, quem ler esse texto, deixe sua opinião nos comentários. É interessante vermos quais as discussões que esse texto da colunista pode levantar!